António Soares, o artista por excelência nas palavras de Artur Augusto que em 1937 escreveu sobre ele – Modernos Artistas Portugueses:
“Artista é aquele que dirige; que está, por conseguinte, adeantado.
António Soares, pintor que desde o princípio do chamado movimento moderno se tem firmado numa linha ascencional de progresso, como artista iniciador é, substancialmente, um emocional. António Soares não se prende tanto com a delimitação dos próprios objectos em si, como com os seus volumes.
António Soares é um artista a quem chamarei concreto.
Em 1913, António Soares surge-nos, fazendo parte de uma tertúlia de intelectuais novos, gritantes, que deslumbraram e irritaram o pacato meio artístico do Portugal de então, com os seus exotismos, as suas arrojadas iniciativas e uma luminosa mocidade. António Soares, como aliás todos os seus camaradas, ressente-se dêsse ambiente de hesitação e ei-lo a trabalhar, com uma finalidade e um objectivo.
Se percorremos a par e passo a sua obra , veremos sobressair desde êsse tempo um desejo de aperfeiçoamento, por vezes conseguido e mantido.
Depois de ter conseguido dominar a técnica, vêmo-lo a pintar grandes telas, com certa segurança, que só o conhecimento do ofício confere, sem que, ponha de parte os quadros de pequenas dimensões.
O seu estilo, muito pessoal, grangeou-lhe um sem número de díscipulos, entre os quais é justo salientar Manoel Lima, Frederico George e Manoel Lapa.
A luz e a côr são dois elementos característicos da pintura de António Soares e revelam bem a maneira da sua actuação pictórica.
Alguns dos seus quadros, entre os quais destacarei “Lisboa”, - onde pairam o sol português, as casas, ruas, gentes e atitudes.”

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